sexta-feira, junho 24, 2005

"Assalto à praia" e tudo porque o Bruce Willis não estava lá

Na sequência do último texto e consequente debate, exponho aqui excertos de uma notícia que sai no Público de 24 de Junho, página 15:

Título: Bloco de Esquerda diz que "arrastão" foi "fuga de jovens de carga policial"

Entrada: Deputada Ana Drago citou relatório policial e relato de filho de dirigente do PSD sobre ocorrido em Carcavelos.

Resuminhos do texto:
1º - O BE fez ontem a AR voltar a este tema para criticar a "manipulação, inexactidão no tratamento noticioso do acontecimento" e "responsabilizou os media por ter dificuldade em acertar agulhas com o dito mundo real".

2º - Baseando-se no relatório da PSP de Lisboa e no testemunho de um filho de um membro da Assembleia Municipal de Lisboa que obrigavam, segundo o BE, a "nova análise à luz de novas informações", a deputada Ana Drago afirmou que não houve "arrastão, houve talvez furtos, mas o que aconteceu foi uma fuga de jovens de uma carga policial indiscriminada"

3º - Ana Drago diz que c9itando o relatório policial o número de assaltantantes era "só" de 30 ou 40 (seria Alibabá?). E continua "Muitos dos jovens que apareceream nas imagens televisivas e fotográficas a correr na praia naquele dia não eram assaltantes, mas tão-só jovens que fugiam com os seus próprios haveres".

As minhas considerações:

1º - Agora a culpa é dos jornalistas! Estes basearam-se em afrmações de pessoas que estavam nas praias, se mais do que um disse que eram 500 de raça negra a roubar...porque haveriam de dizer o contrário. As pessoas muitas vezes confundem o que os jornalistas transcrevem que outras pessoas disseram com o que o próprio jornalista possa estar a dizer. O jornalista nunca deveria dizer. Usam-se testemunhos e aspas para expor os factos.

2º - Gostava de ler as declarações do filho do tal senhor, que basta ser fruto do acasalamento de um senhor que é político, ganha logo um mérito de TESTEMUNHA do ANO. Até porque de inventar coisas e mentir ainda não deve ter aprendido com a profissão do pai. E também as gostaria de ler ou ouvir para dizer onde há carga indiscriminada? Quando há confusão numa praia como a que vimos nas fotografias há sempre alguém que vai apanhar por tabela, mas houve queixas das pessoas que apanharam e não tinham nada a ver com o assunto?

3º - E, no fundo, apesar do medo que se instalou, alguém acreditava mesmo que era possível reunir 500 pessoas para um assalto à praia?

Resumindo: a mulher irritou-me! Apesar de a senhora deputada chamar a atenção para o facto de se reler o relatório policial e averiguar mais testemunhos e dar à opinião pública toda a verdade, não posso concordar que com os disparos indiscriminados para a comunicação social. Não somos todos farinha do mesmo saco. Mas amor com amor se paga e hei-de sempre dizer que políticos assim são bons é para a direita!!!

terça-feira, junho 21, 2005

Arrastão, Frente nacional e outras anormalidades…

O Portugal dos brandos costumes e da pasmaceira foi abalado recentemente por dois acontecimentos diametralmente opostos e vergonhosos que não podem ser ignorados e remetidos ao esquecimento.

Tudo começou no 10 de Junho com os acontecimentos da praia de Carcavelos. Um grupo de jovens (500?, 100?, 50?, 20?, a contagem difere bastante) lançou o caos no que parecia ser um óptimo dia de praia. A verdadeira dimensão do que sucedeu naquela tarde irá para sempre ficar dependente da interpretação que cada um fizer das imagens e relatos a que todos tivemos acesso. O que ninguém pode contestar é que a esmagadora maioria dos jovens envolvidos são de raça negra, e provenientes de alguns dos bairros mais problemáticos de Lisboa, e que a PSP apenas recebeu uma participação por furto.

Este arrastão ou maré negra como alguns lhe chamaram levou rapidamente um grupo de “cidadãos preocupados” a convocar uma manifestação contra a criminalidade. Vistas as coisas de forma simplista, esta deveria ter sido uma das manifestações mais participadas de sempre em Portugal, já que se trata de um tema que preocupa toda a gente. No entanto, aquilo a que assistimos não foi mais do que um encontro de propaganda de um Portugal puro e livre de imigrantes. A conotação racista e xenófoba que foi colada a esta manifestação não fez mais do que minorar um problema tão grave como é o da criminalidade.

Pensar que a solução para acabar com a criminalidade é fechar as nossas fronteiras e expulsar os imigrantes que cá estão é o mesmo que atirar areia para os olhos das pessoas. Para mim o factor potenciador do comportamento delinquente não é racial, mas sim a exclusão social. Não se trata aqui de desculparmos o aumento da criminalidade de grupo, mas sim procurar entender as suas raízes para que seja mais fácil de controlá-lo. Sempre acreditei que não havia nada mais perigoso para uma sociedade que ter indivíduos que julgam não ter um futuro viável e para quem todas as oportunidades parecem estar fora de alcance. Quem não se sente parte integrante de um país e de uma sociedade jamais poderá ter o mínimo remorso em cometer actos ilegais. O que defendo é que se preste mais atenção à integração das 2ª e 3ª geração de imigrantes, porque são eles os que verdadeiramente se sentem apátridas (não são Portugueses, mas também são vistos com desconfiança nos seus países de origem), tal como sucede com a comunidade Portuguesa espalhada por esse mundo fora. Quanto aqueles que dizem que é preferível a imigração de Leste porque para além de mais qualificados e Brancos não criam tantos problemas, a única coisa que lhes posso dizer é que se não for prestada a devida atenção a estes imigrantes, cairemos no mesmo erro que cometemos até agora. Lembrem-se que esta é uma corrente migratória recente que só agora começou a estabelecer-se em Portugal, não existindo portanto uma 2ª geração.

Existem tantas formas de potenciar a integração social destes jovens que acaba por ser chocante o abandono a que os votamos. Há que actuar decididamente em duas vertentes: a repressiva, no sentido de que é importante demonstrar que não serão tolerados comportamentos delinquentes e criminosos; e a da integração, em que o Estado terá um papel muito importante ao nível da implementação de actividades extra-escolares que tornem a escola um espaço não só de aulas mas também de ocupação dos tempos livres e dos apoios a associações e movimentos que lutam por oferecer um futuro melhor a quem o desejar. Isto para não falar no fomento dos cursos técnicos equivalentes ao 12º ano e da actividade desportiva que poderia mostrar aos jovens que existem outras saídas para além do tão glorificado (até excessivamente em Portugal) “Canudo”. Se a única opção para eles continuar a ser entre o trabalho na construção civil e a criminalidade a escolha de muitos será óbvia.

Peço desculpa por vos maçar com um texto tão longo e quiçá desconexo, mas tal como todos vós eu quero viver sem medo de sair à rua, andar de transportes públicos ou ir à praia. No entanto também tenho a certeza absoluta que essa segurança não será obtida através de uma sociedade repressiva e xenófoba. O radicalismo não é mais do que uma fachada do Totalitarismo (seja ele de Esquerda Ou Direita) e eu da minha Liberdade nunca abdicarei.

sexta-feira, junho 10, 2005

O combate ao défice: por Ricardo Costa*, texto intitulado "Um texto demagógico"

(Mais um texto que recebi por mail e que sei que vão gostar e que vai dar que comentar)

Para assustar a nossa Banca, o governo devia deixar que o BBVA comprasse um grande banco em Portugal. Serve este texto para explicar como podia e pode o governo salvar o défice sem nos "lixar" a vida a todos.

O artigo é, sobretudo, uma lista de mercearia (ou de lavandaria, para quem gosta dos livros do Woody Allen). Os itens não vão por ordem de grandeza, mas são todos exequíveis. Ora aí vai:

1. Proibir qualquer governo de mudar a sua lei orgânica durante 20 anos.

2. Proibir qualquer ministro de mudar o nome do seu ministério e, assim, não encomendar novo logótipo, papel timbrado, envelopes, cartões e afins.

3. Proibir qualquer ministério ou direcção-geral de mudar de instalações e ameaçar criminalmente quem o fizer.

4. Proibir as delegações que vão a Nova Iorque de se instalarem no Pierre ou no Waldorf Astoria, apesar de os representantes da Guiné estarem lá.

5. Restringir o uso dos Falcon ao Presidente da República e ao Primeiro-Ministro.

6. Não encomendar nenhum estudo a nenhuma consultora durante 1 ano. Vão ver que os preços das consultoras baixam e que os 'power-points' deixam de ser um chorrilho de banalidades.

7. Extinguir todas as comissões de livros brancos, verdes e afins.

8. Extinguir os governos civis todos, vender os edifícios e a tralha respectiva.

9. Reduzir drasticamente o 'staff' variável dos ministérios e, sobretudo, das câmaras municipais para acabar com as máquinas de emprego partidário.

10. Proibir que os ministérios contratem empresas de comunicação para fazer a assessoria de imprensa ou que o façam através das empresas que tutelam.

11. Não nomear amigos e "malta do partido" para as administrações das empresas estatais e para-estatais.

12. Para assustar a nossa Banca, o Governo devia deixar que o BBVA comprasse um grande banco em Portugal.

13. Para mostrar que nem tudo está combinado na secretaria, o Governo devia deixar que o Belmiro ganhasse um concurso público qualquer. Lá porque ele não dá dinheiro aos partidos, começa a ser escandaloso que o maior empresário português nunca ganhe nada quando a decisão está nas mãos do Estado.

14. Vender os submarinos a algum país emergente (ou submergente, como nós).

15. Vender todos os quartéis que existem no centro das cidades, urbanizar 30% e pôr tudo o resto com espaços verdes geridos e pagos pelas construtoras que ficam com os direitos de construção.

16. Obrigar Angola a pagar a dívida.

17. Assumir que só as linhas do TGV Lisboa-Madrid e Lisboa-Porto é que podem ser rentáveis e acabar com as outras todas, que nunca vão ser feitas e para as quais se continuam a encomendar muitos estudos.

18. Condecorar o Paulo Macedo.

19. Depois de ser condecorado, sugiro ao Paulo Macedo que faça uma busca simultânea nos partidos políticos e nas empresas que montam campanhas eleitorais. Vai ver, finalmente, o que são sinais exteriores de riqueza.

20. Fazer o mesmo nas SAD dos clubes que vivem acima das possibilidades e jogam cada vez pior.

21. Implodir o Estádio do Algarve em cerimónia pública e obrigar o José Sócrates e o José Luís Arnaut a carregarem no botão e, já agora, a comprar a dinamite do seu bolso - são os dois ricos e não lhes faz diferença.

Ameaçar, nesse mesmo dia, implodir os estádios de Aveiro e de Coimbra se continuarem a dar prejuízos monstruosos.

*Ricardo Costa é director de Informação da SIC Notícias

quarta-feira, junho 08, 2005

Trabalhem carago!

Hoje não tive carro, entreguei-o de manhã na oficina para arranjar e apanhei o autocarro para o trabalho.
Os meus pais sempre ficaram impressionados com a quantidade de histórias que eu "recolhia" nas paragens ou nos autocarros. Chegava à noite a casa e tinha sempre algo para contar.
Desaparecida essa "veia" há já algum tempo, hoje despertou ao som de uma conversa de duas senhoras. As duas, já perto dos 60 anos, queixavam-se do calor, dos incêndios, da chuva que não veio e da que veio fora do tempo, das dores nos ossos, da violência nas ruas...

Nem sei como, mas nos 10 ou 15 minutos que estive na paragem do autocarro, passaram em revista todos estes temas e mais alguns. Já nem me recordo do tipo de ligação que faziam entre eles, mas o facto é que saltavam como sapinhos no charco:
"Antigamente o tempo era assim seco em Junho, a gente é que já não está habituada"
"Este tempo é melhor para os ossos" dizia uma, enquanto a outra, com o síndrome de a-minha-dor-de-ossos-é-pior-que-a-tua, dizia "mas os meus doem com qualquer tempo".

E enquanto uma tirava o verniz das unhas com a ajuda da senha, a outra agarrava na carteira e veio à baila do problema da segurança.
"Eu agora tenho muito medo de andar na rua, no tempo do Salazar, isto não era assim. Só não se podia fazer greves, nem falar de política, mas ao menos andava-se à vontade nas ruas", dizia enquanto arranjava as mangas da camisa.

A outra assentiu imediatamente e abanava a cabeça a concordar com tudo o que se dizia. E ainda acrescentou: "nem se via cá filhos a matarem pais. Se tem jeito. Havia, sim senhora, mais segurança".
E eu olhava impávida e serena para as duas senhoras e imaginava-me no lugar delas daqui por 30 e muitos anos a dizer exactamente as mesmas coisas, mas sem tocar em Salazar porque não vivi a época dele.

Triste não é as pobres velhinhas, que devem receber a vergonha de pensões que os nossos velhinhos recebem, evocarem o nome de Salazar como o salvador, triste é não terem mais nenhum nome que evocar sem ser o daquele do tempo da Outra Senhora.

Não houve, então, ninguém na história recente da política portuguesa que seja visto com bons olhos, ninguém fez nada de jeito, as condições de vida são cada vez piores e a sociedade está cega, surda e muda.

Dizemos na brincadeira, com os do Gato Fedorento, que são uma cambada de "Mentirosos, de Gatunos e de Chupistas" mas de facto não passam disso mesmo. Mande-se abaixo o baralho de cartas gasto e corrupto que se instalou em Portugal.

Vamos fazer um país todo de novo e desta vez quero lá saber das terras do Brasil, de África, da Índia e de dividir o mundo com a Espanha. Eles que fiquem com tudo que eu só quero um país onde possa sair à rua sem haja cada vez mais mendigos e indigentes, sistemas de educação e de saúde com menos lacunas e que os bois que ganham balúrdios à custa de todos nós tenham vergonha na cara e façam o que lhes foi pedido quando votamos neles.

Um senhor dizia "Deixem-me trabalhar!", eu digo "Trabalhem carago!".

quarta-feira, junho 01, 2005

Don't Believe The Truth....

Estou farto!

Estou farto de politicos incompetentes de gestores de merda de economistas da treta. (que me desculpem os meus Amigos os quais para já não os incluo neste lote.)

Enviaram-me um mail esta semana, que deixou revoltado, não é que eu já não tenha pensado nisso, mas pôs-me a pensar muito mais. Mas que porcaria de governador do Banco de Portugal, que diz AMEN a todas as cores. Foi conivente com o despesismo de Guterres, foi o sacristão de Durão e Manela, no discurso da tanga. Agora vem vem armado em profeta da desgraça, exultando ao quatros ventos o défice de 6,83%. Este senhor, foi o elemento comum de todos estes descalabros!

Estou farto de ter governos que só tomam medidas para tapar buracos e não fazem reformas profundas e continuas. Não há uma concertação e uma visão a longo prazo, por parte de que está à frente dos nossos destinos. Mas nisso são todos iguais, sejam rosas ou laranjas. É tudo uma cambada de incompetentes que apenas querem os poleiros para poder dar uma mãozinha ao amigo, que quer construir um complexo turístico, ou um mega-empreendimento em zona protegida. E depois saem de todas estas trapalhadas impunemente, como se uma mera demissão limpasse tudo... ora fodasse. Ha que condenar os incomepentes

Estou farto que sejam sempre os mesmos a pagar as “crises” Estou farto que me mintam. E nos tratem todos como uma cambada de idiotas que tem de acatar os devaneios e as promessas sem sentidos que fazem.

Desde o 25 de Abril de 1974, Portugal teve 6 governos provisórios e 16 governos constitucionais. Talvez para tentar recuperar os 30 anos de ditadura. Todos estes 22 governos em 31 anos tiveram um ponto comum, todos cortaram com o executivo anterior, não tiveram uma politica de crescimento continuo e sustentado e serviram-se das demissões e das dissuluções, como uma fuga às responsabilidades. Já aqui os nossos vizinhos espanhóis, que se viram livres da ditadura franquista 1 ano depois do nosso 25 de Abril, tiveram 3 GOVERNOS diferentes. Agora descubram as diferenças.

Mas nesta Republica Portuguesa (o dito “republica das bananas” há muito que foi ultrapassado) existem mais coisas que me fazem baixar os braços e a cabeça e pensar que não vale a pena lutar, porque está tudo maluco. Por exemplo, hoje soube que a Federação convidou o puto que vestiu a camisola “made in china” da FPF no dia do tsunami, para vir assistir o Portugal vs Eslováquia. Coitado do puto, já não bastou a tragédia que assolou o país dele, ainda vai ter que gramar um jogo da selecção, é muito sofrimento para uma criança tão pequena. Mas não é isso que me revolta. Revolta o facto da Publicidade que o Sr Madaíl está a fazer à volta da desgraça deste miúdo, dando-lhe 40 mil euros, e exibindo-o como se fosse um truféu, aquele que não ganhou no Euro 2004. Não haverão muitas crianças aqui em Portugal que precisem também de uma ajuda? Esta não é a mesma Federação que anda a arrastar um processo nos tribunais, em que foi condenada a pagar uma indemnização, pela morte de um pai de família numa final da Taça? Azar do homem... tinha uma camisola do sporting, em vez de a da selecção.


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